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GAC-PE, PCR e Huoc firmam parceria para a instalação da primeira classe hospitalar de PE


GAC-PE, PCR e Huoc firmam parceria para a instalação da primeira classe hospitalar de PE

03/03/2015


Um convênio assinado na tarde da segunda-feira (02/03) pelo Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer - Pernambuco (GAC-PE), Prefeitura do Recife e Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc) permitirá que pacientes da unidade mantenham o vínculo escolar e deem continuidade aos estudos mesmo internados para tratamento contra a doença. Batizada como Semear, a primeira classe hospitalar de Pernambuco recebeu recursos do Instituto Ronald McDonald para sua construção e adequação e inicialmente proporcionará atendimento educacional especializado a cerca de 25 crianças e adolescentes assistidos no Centro de Oncohematologia Pediátrica.
A criação do projeto partiu do GAC-PE que, dentro da sua proposta de tratamento humanizado, acompanhou todas as etapas para a implantação e se manterá na coordenação da iniciativa. A Secretaria de Educação do Recife forneceu a mão de obra de uma professora e material didático, o Huoc disponibilizou o espaço físico para a instalação da sala e o Instituto Ronald McDonald apoiou financeiramente a adequação do espaço e a compra de material didático.

“A classe hospitalar é um avanço para Pernambuco no que se refere à garantia de direitos tanto pela humanização do tratamento como pela inclusão e a permanência escolar da população infanto-juvenil hospitalizada. Entendemos que a promoção da saúde deva considerar a pessoa na sua completude e respeitar o direito da criança e do adolescente em receber educação integral e de qualidade onde e na condição em que eles se encontrarem, conforme preconiza a missão do GAC-PE”, afirma a gerente de Desenvolvimento Institucional da entidade, Carolina de Paiva.

A Semear é a primeira unidade em Pernambuco a seguir as diretrizes curriculares estabelecidas pelo Ministério da Educação no documento Classe hospitalar e
atendimento pedagógico domiciliar - estratégias e orientações. Modelo semelhante já é oferecido em mais de 140 hospitais do Brasil.

“Acreditamos que, com a classe hospitalar, a valorização à vida estará mais presente facilitando a aceitação ao tratamento e contribuindo para uma recuperação mais rápida da doença”, considera a oncopediatra Vera Morais, fundadora e presidente do GAC-PE.
A classe hospitalar funcionará numa sala do 5º andar do hospital, onde estão alguns dos leitos para internamento. As aulas em grupo serão no turno da tarde. A manhã ficará reservada para atendimentos individuais e atividades de planejamento. A equipe responsável pelo trabalho inclui uma professora pedagoga, uma coordenadora técnica e uma coordenadora científica. O grupo também conta com o apoio da equipe multiprofissional do hospital, formada por psicólogo e assistente social, e da Coordenação de Voluntariado do GAC-PE.

“Garantir a continuidade do processo de educação de adolescentes e de crianças com câncer é uma forma de motivá-los a pensar em seu próprio futuro. Tenho a certeza que este projeto promoverá mudanças na rotina e nos sorrisos dos pequenos pacientes”, afirma Roberto Mack, gerente geral do Instituto Ronald McDonald.

REQUISITOS - Para participar da classe hospitalar, as crianças e adolescentes internados no Hospital Universitário Oswaldo Cruz precisam estar matriculados numa escola, independentemente do município de origem. A turma é multisseriada, englobando estudantes e conteúdos das mais diversas séries da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I, com idade média entre quatro e 15 anos.

Por causa das necessidades individuais de cada aluno, haverá flexibilidade de dias e horários. A medida considerará as orientações clínicas, que indicarão a disponibilidade para a atividade ponderando também os níveis de mobilidade dos pacientes. Havendo necessidade, eles poderão ser atendidos no próprio leito.
“A Classe Hospitalar representa um salto de qualidade para o Hospital Universitário Oswaldo e o GAC-PE. É uma iniciativa pioneira no Estado que busca o resgate da cidadania dos indivíduos de forma humanizada”, frisa o diretor do Huoc, cardiologista Bento Bezerra.

A organização didática levará menos em conta a carga horária comumente exigida nas escolas regulares, priorizando as atividades que integrem as áreas de conhecimento e as situações lúdico-pedagógicas. Outro diferencial é que serão considerados os conhecimentos já construídos pelos estudantes, podendo ser necessária a elaboração de programações didáticas individuais. Nas atividades pedagógicas serão usados materiais de apoio como jogos matemáticos (dominós, ábacos, calculadoras e jogos de encaixe) e kits de literatura com livros de contos, fábulas e poesias.

As aulas nas áreas de conhecimento estabelecidas nas Diretrizes Curriculares do Ensino Fundamental favorecerão o desenvolvimento de habilidades cognitivas e sociais dos pacientes para reduzir os índices de evasão e repetência em virtude do
tratamento oncológico. Quando tiverem alta, os pacientes receberão um certificado referente ao tempo em que estudaram no hospital. Em havendo necessidade da aplicação de testes e provas, o conteúdo será preparado pela unidade de origem da criança.

Para o secretário de Educação do Recife, Jorge Vieira, a classe hospitalar é uma das provas de que a educação vai muito além dos muros da escola.

"As constantes idas e vindas ao hospital para internamento e o prolongado tratamento ambulatorial provocam, muitas vezes, o abandono dos estudos ou o adiamento do início, prejudicando a trajetória escolar das crianças e adolescentes com câncer. Queremos garantir que os pacientes saiam do hospital e deem continuidade aos seus estudos, por isso é necessária a ponte com a escola de origem de cada aluno. A classe hospitalar não vai se limitar a ser um espaço de aulas de reforço", garante o secretário.

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